Poucas coisas na vida não se resumem a motivos. Amar é involuntário, mas traz consigo muitas outras vontades: querer de sorrir um canto, ou até mesmo chorar um beijo; quiçá um banho de chuva. Fica condenado a cem chicotadas aquele que não atender ao amor e seus desejos; pena menor e menos dolorosa do que a existência tangente num Sol sem dentes.Há muito a se entender; mas, muito mais a se sentir.
*Texto escrito há 3 anos. Na verdade, o autor queria dizer algo para si mesmo.
Os Mumuilas são membros de uma tribo do sul de Angola, caracterizados por possuirem mulheres lindíssimas. Quando os portugueses chegaram naquela terra, empunhavam muitas armas e pouco caráter; tamanha foi a covardia, que muitas mulheres foram violadas. Com o intuito de afastar os estrangeiros, as habitantes passaram a utilizar fezes de animais nos cabelos. Atualmente esse hábito tornou-se cultural, fazendo parte do cotidiano, mesmo após a independência daquele país. Mas e quanto a nós? Acredito que já conhecemos essa situação, pois diversas vezes pusemos armaduras, muralhas e extensas valas para nos separar de nossos medos e feridas. A dificuldade do perdão impera e a ousadia é uma palavra entre as outras no dicionário. Até quando vamos entulhar coisas imprestáveis ao nosso redor, ou pior, na própria alma? Segundo Saramago, os olhos fechados refletem o interior; é lá que está tudo que precisamos, mas para isso teremos de aprender a enxergar. Coisas que pareciam esquecidas como coragem, bondade, compaixão e amor estão sedentas por despertar; permita-se. Deixe cair as armaduras, utilize o tato como guia e o peito em conselheiro. É hora do banho, vamos lavar a alma.